
Alaska V
a náusea do poder,
a repulsa do poder
nestes capatazesinhos
patéticos
de opereta.
é que eles querem
vingar
o penisinho murcho
de impotentes:
- querem as mulheres de joelhos,
(as mulheres de joelhos com lágrimas de medo)
- querem os filhos doentes
(os filhos doentes pela humilhação)
- querem que lhes chamem doutores
e sabe-se que este é o país mais doutorado da galáxia,
(para executarem a farsa da modéstia amigável)
- querem os paroquianos em coro afinado
olhando para uma sotaina amaricada.
- querem os alunos submissos, tristonhos
pela leitura do triste Eça.
enfim, qualquer coisa,
qualquer coisa que os distraia
do glorioso espectáculo
da vida a escapar-lhes
das mãos crispadas,
como se fora
vento.
e o cão aninhado em tremuras de
chicote,
o militante do partido
crédulo e disciplinado,
e uma bíblia em cada quarto
entre os frascos de anti depressivos
e a vaselina para a cona ressequida
pelo fastio matrimonial,
e milhões sorrindo imbecis
aclamando um papa senil,
e milhões vociferando hinos cretinos
de guerra: "às armas, às armas!..."
numa comoção mongolóide
de patriotas...
e eu olho-os
e ouço a voz triste e
levemente sardónica desse
magnífico americano:
- who are you?
"Those that look carelessly in the faces of
Presidents and governors, as to say
Who are you?
Those of earth-born passion, simple, never
constrain'd, never obedient..."
my tribute, Whitman.



