I - Quem sou

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Janusz Taras

 
são felizes os que descobriram
como a vida pode ser
aqueles que de uma casa passam a outra
sem nunca perder
o amor pelas coisas concretas
e a devoção pelas outras


é deles o mundo - eu sei -
dos outros é o rancor e a indiferença
às vezes também o poema


hoje pensei muito em mim
no como se está tão perto de tudo
e ao mesmo tempo tão perto de nada
- quem sou? - não é difícil a resposta
Sou quem pergunta


 

II - Não partas ainda

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Janusz Taras

 
Escuta-me
Não partas ainda


Em demasia
As horas se acumulam
nos tendões


em demasia
caminho sem ter para onde


escuta-me
fica


não sejam essas
as tuas ultimas palavras
o teu nome é grande ainda
o teu nome feito de tudo


escuta-me
em demasia te quero
em demasia
escuta-me
fica

 

II - basta-me

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Janusz Taras

 

basta-me que sorrias
todo o sol que o dia não trouxe hás-de
promete-lo nos teus lábios


chove
a noite apressa-se a toda a parte:
sou eu e o universo
eu e a hora dos que recolhem ao quarto
eu e um sorriso apontado ao coração


basta-me que sorrias
basta-me saber daqueles que ama
e também choram
daqueles que amam e também escondem


basta-me que sorrias
basta poder deitar-me ao teu lado
e não estar só


basta-me que sorrias

 

III - o olhar dos cães abandonados

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Janusz Taras

 

 O olhar dos cães às vezes
Assemelha-se a um mineral escuro
A uma pedra funda e despedaçada


Toca-nos como um olhar humano
Como se desesperado daquilo
Que não tem salvação


Prende a alma
Prende-a por muito tempo


Às vezes penso que é a morte
Que ali nos olha
Apenas ela
À espera de alguém para mostrar-se

 

Outras vezes esse mesmo olhar

É um fogo assustador


Lavra do fundo dessas retinas pobres
Acordando em nós
A angústia de sempre
Aquela tão simples verdade que diz
- podíamos ser o contrário - ele e eu -

 

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