agarro-me aos teus dedos

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Miriana

agarro-me aos teus dedos
como se me afogasse entre os pensamentos:
de bronze são as palavras
as palavras imperecíveis de bronze
que lacrimejam dos teus olhos
como a tortura ou o silêncio
pois é assim, as mãos urdindo
com amor
as confissões que arranquei a outras noites
quando não regressavas...

 


(pág. 12) 

 

talvez sejas o mar

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Miriana

talvez sejas o mar e
eu vá descendo pelas pernas
azuis do teu corpo, como
a bola de fogo que se introduz mais dentro
nas linhas demasiadas do caderno
ou nos recônditos músculos
do oceano 
 

 
(pág. 19)

 

o mocho

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Miriana

 
o mocho
reaparece na esquina
dos teus lábios todas as noites...

a fala,

essa parede
contra as vergastadas
da lua
 



(pág. 22)

 

o regresso é inevitável

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Miriana

 

o regresso é inevitável, sobretudo
aquele mesmo silêncio de que partíramos
um dia em busca do sol


fixámo-nos na sarça incendida
na coluna ardente do coração
e extraímos do último pensamento
o sílex cortante das palavras:
porque
na vida valeu-nos apenas
o termos querido amar alguém

 



(pág.  26)


 

se me perguntares por

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Miriana

 
se me perguntares por
que fugi, talvez te diga


que os dias contados para trás tão depressa
fazem doer o coração e


apenas acrescentam
a incomparável morte das
palavras não mais proferidas
 



(pág. 36)


 

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