
Janusz Taras
quando as mulheres maneavam
as ancas a caminho da fonte
eu não existia:
houve um cântaro que
se partiu.
nessa manhã
havia macieiras e aloendros
a água sumiu-se pelo chão
escorreu ao silêncio...
tu levavas-me já para esta vida
(Pág. 18)

Janusz Taras
quando as mulheres maneavam
as ancas a caminho da fonte
eu não existia:
houve um cântaro que
se partiu.
nessa manhã
havia macieiras e aloendros
a água sumiu-se pelo chão
escorreu ao silêncio...
tu levavas-me já para esta vida
(Pág. 18)
Janusz Taras
quando a lareira se faz dessas palavras
tu inebrias, aquecendo como faúlhas
e sílabas de todas as cores
que transpõem
o território obscuro das lágrimas
a pedra é laje fria como certas noites:
das noites fogem os poemas no seu tacto
acidental de vergônteas, entrando
como para dentro dos olhos
oh os poemas: as palavras
intransmissíveis, os poemas que são a
côdea indecifrável dos dedos:
os dedos que tocam a lareira
a pedra que chora como palavras
(Pág 35)