Chun Nan, Liu Twin
como viver com estas minúsculas
intempéries, a régua sobre a mesa, a chuva
pendurada nos altos telégrafos da paciência?
o passado levanta as lajes, dentro
do ar as sapatilhas vivem a sua luz ausente.
como nos escapa o que não há ainda!, os barcos
verde claro, e o retrato da sua casa iluminada,
e a alegria desta roupa «desfeita em lágrimas»,
e o cão «piloto» enterrado na hortelã, &
as minuciosas tabuletas anunciando o mar: tudo
costumes locais, colhidos ao acaso das
estrebarias públicas. as
comendas multiplicam-se, & o município vê
ameaçadas as mais altas esperanças. um dia
as árvores aparecem com grandes frutos ocos,
e o vidro cobre as ruas, as lajes
redondas dos passeios.
e estes navios encalhados nos ramos, que arte
os poderia sossegar? é justo que esperemos
transparentes respostas; e que algures
se acabe a transparência, e fique
uma parede lisa; e que nos doa
a memória do enigma. daí, decerto, estas casas
imóveis, com os pássaros a meio;
o rumor dos grandes diques luminosos;
e as mulheres, sentadas nas oliveiras, com
lençóis azuis atados ao cabelo. e ao lado,
a imagem representa um sarau de província, o consumo
inusitado das lareiras, a crise que aguardamos.
(...)



