
Enrique Climente
eu a morrer debaixo do sol e eles sentados
apreciando coxas e mármores pendentes
no verão seco ao fim de nenhuma tarde, eu
desalinhavado pelo vento, crescido no meio das chamas,
correndo pelas ruas paralelas e sórdidas da antiguidade clássica,
e a agreste sabedorias das mãos cortadas rente eu e eles
apreçando o remate
dormindo dormidos nas esteiras, a corda
presa nos dentes. que surpresa quando me tomaste,
pela primeira vez era uma noite de algum vento e das
esguias chaminés subia a chuva como uma nuvem
caída na memória e para nunca mais
então acaricio-te as orelhas distraídamente como quem
está duvidoso de comprar e sabe que não deve
apressar o remate
eu a morrer como se fosse coisa nenhuma cheia de pressa
esmorecida pelo sol eu e eles sentados como se fosse
uma pressa vazia de coisas uma opressão às portas
do grande mercado demasiadamente silencioso e atento
acaricio-te as mãos bem cortadas, o reflexo do
melhor mármore antigo,
eu a morrer como se fosse o menor preço e eles
sentados com os olhos na cara a boiar!
in «Poemas», Dos Jogos de Inverno
Pág.s 246 e 247


