
É a ele, ao deus mudo e insignificante, que pertenço. Uma ligação que de certo modo o não é, porque ele nunca se revela e, sempre fugidio, jamais permite a desejada companhia. Estar com ele não é, afinal, sentir a Ausência mais ausente e a infinita brancura do branco mais vazia e nula? Ele é o ser solitário, vazio, irremediavelmente separado. Um muro branco s ergue entre ele e eu. E, no entanto, ele é a possibilidade da palavra, a iminência do encontro.
in «Antologia Poética»
O Deus Nulo - 1988
