atento, vejo a chama fulva da abelha.


© National Geographic 002

 

  

Atento, vejo a chama fulva da abelha

e a cadência do desejo monótono vagabundo

num pequeno corpo ardente e frágil.

O mundo aqui é um sopro verde

em que tudo flui em silenciosos gozos.

Na delícia do ócio o pensamento

entrega-se ao vento e ao olvido.

Só o desejo ordena o fluente ardor

que em mil meandros se propaga no ar.

E de tanto respirar essa pátria volante

eu próprio sou a espessa substância do bosque.

 

 

in A Rosa Esquerda, 1991,

Antologia Poética

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