O ignorante absoluto o imóvel nómada


Extreme Black Walpapers, 10

 

 

O ignorante absoluto o imóvel nómada

no imponderável acorde da deriva da terra

com as velas do sangue voltadas para o mar

na icendiada inércia da sombra como um fruto

ouve o único canto que nunca se repete

e os lúcidos animais acaçapados

por detrás de arbustos invisíveis

A sua lucidez é o abandono às marés sem margens

e a sua sabedoria uma distracção que o conduz ao centro

 

 

in «DELTA seguido de Pela Primeira Vez(1996)»

«- Índice da Obra de António Ramos Rosa>