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in EPÍSTOLA AOS IAMITAS
já as primeiras cousas são chegadas I de IV

Eugene Delacroix, Liberty Leading the People, 1830
Musée du Louvre, Paris
«Tanta foice isto é coice desconfio...
Tanto de marx martelar já cansa.
Adrede é labirinto não me fio
no fio que o comício ao coro lança.
De tanto ruminar tanto Rossio
numa canga aguilhando tanta esperança.
Tanto poder ao povo com feitio
de espezinhá-lo depois na governança.
Tanta denúncia. É a pedagogia
da Revolução que o excremento avia
e não chegámos ao último terceto.
Recém-nascida apenas deste em cabra
Ó Liberdade! Não sei como isto acaba,
não sei como acabar este soneto.»
in Epístola aos Iamitas,
Poesia Completa
Já as primeiras Cousas São Chegadas II de IV

Alejandro Cano Bolado
Nem só sirius se vê de um quinto andar,
muitos rabos também caçando bruxas:
o coelho é da pide é de matar
onde rasgos sonhei, rasgam-me rusgas.
Está de purga a justiça popular!
não menos, alcateia, me repugnas
que os da banca de borco a soluçar
num desamparo rafeiro de viúvas.
Sonhos meus que tomei por galaazes
argonautas me fostes de arganazes;
adubastes a besta: culpa mea.
Tem-te fera da pátria embravecida!
Queda-te no resplendor de aparecida.
Deixa-me imaginar que ainda és sereia.
in Epístola aos Iamitas 1976
Poesia Completa
Já as primeiras Cousas São Chegadas III de IV

Ben Shahn
E fez-se luz e a luz o touro fez:
Os cornos eram estrofes de soldados.
Foi no tempo do pólen foi no mês
do sémen, do sabor, dos deslumbrados.
De salmo e de solário era a nudez
de amor, os animais demasiados.
era a revolução. Era uma vez...
Eram na fábula os dias colocados.
Ó liberdade cruel como a beleza!
fúria de trevos que só é acesa
pelas áspides que no fundo se devoram!
És mais dócil ao fogo que a madeira
e só és mariposa verdadeira
porque os ébrios de Abril te comemoram.
in Epístola aos Iamitas, 1976
Poesia Completa
Já as primeiras Cousas São Chegadas IV de IV

kanters
Corpórea e branca tornou-se a liberdade
para lhe abrirmos todas as janelas.
Mas já desbota o alvo em alvaiade
atacado de manchas amarelas.
O esplendor matutino em escuridade
volvem os mistagogos de mistelas.
Do social é súcia a qualidade.
Calai-vos demagogias tão cadelas!
Mais que falido o consumidor é cómico
é grilo na gaiola do económico.
Alma? de trapos. Livra! Nanja a minha.
Aqui estou de poeta e de passagem:
de Abril, o Mago, levo na bagagem
uma última e bêbeda andorinha.
in Epístola aos Iamitas, 1976
Poesia Completa
