in O ANJO DO OCIDENTE À ENTRADA DO FERRO

  • O Anjo Barroco à entrada de Sal(zburgo)
  • Aeroporto

o Anjo Barroco à entrada de Sal(zburgo)

Ginés Liébana

Ginés Liébana

 

Como o carmim à volta do caroço
unindo-se guloso faz o pêssego
fez a púrpura as rosetas de açucar
de uma igreja dançante neste texto

 

estomacal de prelados que a salsugem
de uma cidade que tem o sal no nome
em estuque musical cristalizaram
no vidrado turístico de um cromo

 

Anjos de pedra gorda anjos soprados
pela flauta mágica continuum pulmonar
de Mozart para o trânsito compondo
uma ponte ópus de febre transversal


de mil anos de altura em caracóis
cai a cerveja euforia obesa
do restaurante que a gesta das trombetas
calou no post-card da fortaleza


Pelo binómio altivo das montanhas
metáfora do tempo contraído
no rio asténico a cidade ganha
uma voz branca que ordena o suicídio

 

Do pesadelo púrpura de Trakl
orbitais as arcadas são apriscos
é delas que para os desvãos da noite saem
anjos de fogo pelos olhos dos bispos

 

Mas no mapa michelin do extermínio
tem sorte esta maiúscula obsoleta
troca-lhe as voltas do letal sentido
um sufixo risonho de marionetas


Dos cimos medicinais do Untersberg
quimérico o teleférico leva arsénico
ao sonho que se algema enquanto a barba
da lenda não der três voltas ao milénio
 

in O Anjo do Ocidente à entrada do Ferro (1973),
Poesia Completa,
Dom Quixote, 2007

aeroporto

Eduardo NaranjoEduardo Naranjo

 

 
De franqueforte franquefurta-me a placa giratória
No centro o minotauro do livro e do dinheiro
Bolsa do desespero!  o aeroporto cunha
a moeda do trânsito, da urgência joalheiro
 

Os diapositivos da espera me dissecam
nesta de mármore mesa da minha anatomia
e gelam as pestanas que velam o cadáver
da pressa escarnecida pela meteorologia
 

Os pés involuntários por tapetes rolantes
vão sendo massajados para os finais do juízo
Para a leda flor de pinho dos nervos lusitanos
franqueforte é farmácia que náo está de serviço
 

É de erres arrastados o ofício das ground-hostesses
que escrevem sim e não com a ponta do nariz
Emudecem as águas do baptismo de Goethe
nos químicos arredores deste alemão a giz
 

De franqueforte franquefarta-me o ninguém
                                                    [colectivo
este frio da morgue que abandona o cenário
às unhas dos relâmpagos e às pombas pluviosas
que pausas desdenhosas dejectam no horário
 

Aeroporto humano apenas na retrete
Na mansa paranóia da pista de absinto
pousa ariadna fio 727
gargalhando a saída do lerdo labirinto

 

in O Anjo do Ocidente à Entrada do Ferro,
Antologia Poética

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