ORLANDO NEVES

orlando neves 

Orlando Neves de seu nome completo Orlando Loureiro Neves (Portalegre, 11 de Setembro de 1935 † Senhora da Hora, Matosinhos, 24 de Janeiro de 2005) foi um escritor, poeta e dramaturgo português. Foi também tradutor, tendo traduzido para português dezenas de obras. Encenou diversas peças de teatro.
É autor de 16 livros de poesia, alguns deles premiados
Além de poesia, tem publicados 3 romances, 8 livros de contos, 6 peças de teatro para crianças, 7 peças de teatro para adultos, 3 dicionários temáticos. Organizou várias Antologias de Poesia. Está incluído em muitas colectâneas e antologias de poesia, ficção e literatura infantil. Dirigiu, entre outras, a revista literária trimestral Sol XXI, até ao N.º 17.

Os seus títulos mais significativos são: Morte minuciosa, Trovas da infância na aldeia, Regresso de Orfeu, Odes de Mitilene, Noema, Decomposição - A casa, Mar de que futuro, Organon para a decifração da poesia, Poesia, Louca obscura, (poesia), A condecoração, Morte em Campo de Ourique, Morta em Vila Viçosa, Rua do Sol, Histórias de Espanto e Exemplo e Fabulário (ficção), Humor próprio, 30 anos de teatro, Os brinquedos do Tozé fizeram banzé, Aventuras de animais e outros que tais, O Tio Maravilhas e O Mosquito Zzzz… Zzzz (teatro), Lisboa em Crónica, Diário de uma revolução, Pão com manteiga, O castelo medieval e a cultura coeva, De longe à China, Dicionário de Frases Feitas, Dicionário da origem das frases feitas, Dicionário obsceno da Língua Portuguesa, Trovas medievais obscenas, Aristóteles e Akhenaton nos géneros de crónica, ensaio, dicionarística e biografia.

 

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Criei, não Possuí

Guilherme de Faria, o enigma de Alma Welt, óleo s tela Guilherme de Faria, o enigma de Alma Welt
 

 

Criei, não possuí.
Instante de infinitude, o que moldei na voz
respira. A firme casa do meu corpo se fez
pelo contraste, que só o contrário cria.
Não possuí,
denso ou raro,
pequeno até ao nada,
nenhum símbolo,
nenhum olhar de brasa,
nenhum odor colado à pele.
Pretendi a verdade, mas tudo se muda
pelos meus olhos e a fosca luz do que foi viver
só no amor se moveu. Morto o amor,
transforma-se a água.
Onde a noite não há e o dia não é,
esqueço as mudanças do tempo
e com meus ardis me defendo
do terror de mim.


in «Noema», Regresso de Orfeu 
Lisboa : Escritor, 1991

Assumamos o corpo e o prazer

Guilherme de Faria, o abraço

Guilherme de Faria, o abraço
A Pintura de Guiherme de Faria
 

 

Assumamos o corpo e o
prazer, bebamos no elmo
de bronze o vinho e os
cheiros do fogo.


*
 

E o desejo de amar e o desejo de mar
no seu mais belo canto Safo cantava.
Oh, quanto no meu coração tarda
o que o seu canto louvava.


*


Se contigo ardo, Safo,
se todas as coisas provêm
da noite, seremos a chama
da eterna beleza.
 

*


Como funda gota de cera no flanco
do lesto gamo,
sequestra-me, Safo, no teu rijo seio.


*


Ser a pomba ou o cavalo no bosque
de macieiras onde espera e anoitece
O teu terso corpo de deusa rara.


*


Oh, apagar-me no teu peito suavemente
enquanto nos teus olhos leio
a respiração do tigre.


*


Nada é glorioso, nem a solidão
absurda. Só a memória permanece,
para, em cada carícia,
ser outra.

 

in «Cerejas»
(Odes de Mitilene - excertos)
Ver ref.s em livros de Apoio 

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