TIAGO NENÉ

 

Tiago Nené, poeta e tradutor, nasceu em Tavira em 29 de Março de 1982. É um dos poetas da nova geração, tendo publicado em 2007 o poemário Versos Nus. Está representado em diversas antologias, revistas literárias e jornais, com destaque para Os Dias do Amor – um poema para cada dia do ano, Jornal Mundo Universitário e Revista Big Ode. 
Traduziu os seguinte s livros de poesia: O Sítio Justo, de Rafael Camarasa, e Agência do Medo, de Santiago Aguaded Landero, obras vencedoras, em 2008 e 2009 respectivamente, do Prémio Internacional Palavra Ibérica.

Em 2009 é esperado Instalação, seu segundo livro de poemas. Advogado de profissão, é co-fundador do Grupo Literário do Algarve: Texto-al.

Origem: Triplov

 

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FAZ DE CONTA

Charles Demuth  Charles Demuth


 

[a uma mulher bonita]

 

faz de conta: que
a festa acabou, a felicidade continua,
e nós ainda escolhemos
o vocabulário
para nos cravarmos os dedos
na pele móbil
como o tempo que nos esquece
sem fazer de conta, sem
germinar ou colocar a nossa beleza
conjunta na ambiguidade de uma boca
maternal,
sem umas mãos que nos exonerem
da linguagem indiscutível,
veneno azul,
que nos aproxima os silêncios
que hão-de vir
e as artes materiais dos fármacos.

Tiago Nené
in Designações da Beleza
(a publicar)

Poesia retirada de Texto-Al com permissão do autor

O TERRAMOTO

Dino VallsDino Valls

 

[a uma pessoa intemporal]

 

querida joana, o terramoto apanhou pessoas que faziam amor,
pessoas que morriam de uma causa lenta e dolorosa,
pessoas que celebravam contratos com apertos de mão,
pessoas com instrumentos na terra fértil,
pessoas que faziam de conta, pessoas sem relógio.
os que faziam amor perpetuaram-no, os que morriam
viram a sua morte impedida por uma colectiva e mais bem aceite,
os que celebravam contratos perderam as mãos coladas,
os que trabalhavam na terra fértil foram soterrados,
os que faziam de conta procuraram cumprir uma promessa,
os que não tinham relógio escaparam ao tempo.
meu amor, sermos egoístas é tentar impedir que as coisas mudem,
sermos intensos é não respeitar causas e efeitos,
espero-te no meu futuro, ainda que ele não seja
o efeito directo de um presente que ainda treme muito.

 

Tiago Nené
in Polishop
(em preparação)

Poesia retirada de Texto-Al com permissão do autor

Antologia

Andrés Cillero

 

Uma antologia é uma conclusão,
Mas ela apresentou-se assim, no meio daquelas pessoas,
Detalhou o seu melhor
Nas melhores palavras que executavam o meu silêncio.


Eu apresentei-me como poema do dia, como sempre fiz.
Apresentei-me como o último retrato do sol
Ou a última nuvem do romance que li.


Para minha surpresa, um dia mais tarde,
Ao ler-lhe a novíssima edição da antologia,
Apareci eu, vestido deste poema.

 

in «Os Dias do Amor»,
Ver Ref.s em Livros de Apoio

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