EDUÍNO DE JESUS

 

Eduíno de Jesus, poeta, ensaísta, homem intelectual e da cultura, açoriano do mundo, é também o amigo gentil e generoso, a pessoa muito querida e especial.
Eduíno de Jesus nasceu nos Arrifes, S. Miguel, Açores (1928). Concluídos os estudos secundários deixou os Açores e instalou-se primeiramente em Coimbra e depois em Lisboa, onde reside actualmente.  No continente, Eduíno foi professor do ensino primário e secundário, docente na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa.

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Publicou três  livros de poesia: Caminho para o Desconhecido (1952); O Rei Lua (1955); A Cidade Destruída durante o Eclipse (1957) e em 2005 a Imprensa Naciona -Casa da Moeda, editou o livro Os Silos do Silêncio, reedição selecta e refundida destas três colectâneas poéticas. Também publicou a peça de teatro Cinco Minutos e o Destino (1959). Tem centenas de artigos dispersos em revistas e suplementos culturais.

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Ler biografia completa em: Comunidades

Poema do amor desesperado

Carlos Godinho, Jogos de Poder Carlos Godinho, Jogos de Poder
 

 

Espera um pouco (até que o amor de todo nos destrua!)
Amanhã, amanhã é que esta história há-de ser contada.
Então, da nossa vida e amores, não haverá mais nada
Do que um fantasma branco balouçando à lua.


Mas é agora que tudo é verdadeiro. Amanhã, quando
Não houver de nós ambos nem o nome escrito
Em letras de pedra numa pedra num canto do mundo,
Nina, quem saberá o que foi o nosso amor profundo?
O nosso amor maldito?
O nosso amor tão grande?


É preciso, é preciso dar notícia aos grandes profetas do futuro!
(Não vão depois dizer que o nosso amor era pecado...)
Não havia nenhum muro, e para trazer calado
O mundo,  é que os dois, a pedra e lágrimas, levantámos a
                      [enorme e intransponível sombra deste muro!

 

 

in «O Futuro em Anos-Luz», 
Antologia de Poesia portuguesa,
sel.e org. Valter Hugo Mãe,
Porto: Edições Quasi, 2001

Com as Mãos

Amadeo Roca

 

 

Com as mãos
construo
a saudade do teu corpo
onde havia


uma porta,
um jardim suspenso,
um rio,
um cavalo espantado à desfilada.


Com as mãos
descrevo o limiar,
os aromas subtis,
os largos estuários,


as crinas ardentes
fustigando-me o rosto,
a vertigem do apelo nocturno,
o susto.


Com as mãos procuro
(ainda) colher o tempo
de cada movimento
do teu corpo em seu voo.


E por fim destruo
todos os vestígios (com as mãos):
Brusca-
mente.

 

in «Os Sílos do Silêncio», 
Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa 2004

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