VICENTE FERREIRA DA SILVA

 

Vicente Ferreira da Silva nasceu no Porto a 14 de Junho de 1966. Tem formação académica em Gestão de Transportes e Estudos Europeus. É Auditor de Defesa Nacional e está a ultimar uma tese de Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho. É membro da Associação Portuguesa de Escritores. Publicou os seguintes livros de poesia: Letras Palavras e Linhas: Gestos pela Diferença - 2005, Metafísica [Poética] - 2007 e Interlúdios da Certeza - 2009. A publicação do seu próximo livro, 30 Mensagens de Amor e uma Recordação ocorrerá em Novembro de 2009.
É comissário de um ciclo de conferências que organizou para a Reitoria da Universidade do Porto - Diálogos com a Ciência, que irão decorrer de Outubro de 2009 a Março de 2010.

 

Origem:  Temas Originais
(actualizado por Paula Matos)

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do Inatingível

in-finito azul

na Luz da Criação 

Nota: É com autorização expresa do autor que as poesias copiadas dos seus  blogs são publicadas em nEscritas.

Penso em ti

Jim Warren, A world within Jim Warren, A world within

 


Penso em ti
e parece
que tudo aquilo que é
e não é
acontece,
existe
e permanece.
Simples
e selvagem,
tal e qual a natureza
plena de sensação,
cuja mensagem
perfumada em pureza
é uma visão
de tanta beleza,
que o meu ser
agradece
esta tua dádiva
que a minha vida
enriquece,
e o Meu Teu
enaltece.

 

in 30 Mensagens de Amor e Uma Recordação

do blog do autor:  do Inatingível

És Tu

Jesús de Perceval

Jesús de Perceval

 

 

Acontece poesia em ti
sempre que olhas,
afirmando uma vida pulsante
magnífica
como
o cintilar das Estrelas no céu,
o resplendor brilhante do Sol
nos teus doces
e meigos olhos.

 

Acontece poesia em ti
sempre que ris,
criando umas curvas no rosto
sensuais
como
os campos de searas ao vento,
as ondas nas águas de um lago
ao sabor da quente
e harmoniosa aragem do Verão.


 
Acontece poesia em ti
sempre que andas,
alimentando o nascer de sentimentos
sinceros
como
o delicado desabrochar de uma flor,
o despontar do amanhecer da vida
no enternecido ser
do meu coração.

 

Assim,
quando
eternamente te penso,
te sinto,
te vivo,
por fim
acontece também
poesia em mim.


in 30 Mensagens de Amor e Uma Recordação
Do Blog do autor: Do Inatingível e outros Cosmos

Duas Flores

Martin Johnson Head, Giant Magnolias on a Blue Velvet Cloth c.1890 - NGAMartin Johnson Head


 


Sempre,
que tenho o prazer
de com a natureza te alegrar,
pelo mesmo motivo,
fico triste
e contente.

 

Não interessa onde vá procurar!

 

Tenho a certeza
que nunca irei encontrar
uma flor,
tão bela como tu.

 

 

in 30 Mensagens de Amor e Uma Recordação
do blog: Do Inatingível e outros Cosmos

Palavras para ti, Meu Amor

Craig Mullins Craig Mullins

 


Renasci,
no instante em que te vi.

Não esperava ser tão afectado.
Mas fui!
E ainda bem que assim foi.

Todo o meu cosmos se movimentou.
Todo o meu Ser se revolucionou.

Ao entregar-se,
a ti
e ao teu amor,
a minha alma encontrou a independência.

Passei a viver
outra existência,
ao nascer
para a nossa vivência.

Pouco mudou com o fluir do tempo.
Apenas aumentou o respeito pelo teu coração,
por seres como és,
por seres quem és.

E também se solidificou esta certeza:
Contigo,
Eu tenho sentido.

Mulher dos olhos doces!

Os teus olhos não são só de vida.
São também de esperança
e de possibilidade ilimitada.


in v81 = IX ?
do blog: Do Inatingível e outros Cosmos

Cartas frente ao Mar (VIII)

Thomas Moran, Tantallon Castle North Berwick Scotland Thomas Moran

 

 

Minha Querida,

 

Chove abertamente!

Estou aqui, na orla do desejo, a olhar para o profundo e para o alcance do véu lúgubre que abraça os ambientes informes, já rendidos ao seu estranho ardor.

 

No horizonte há luz que não se vê!

Como se a génese da criação fosse de novo ocorrer.

Assim, nesta tarde escura de Inverno, sou banhado na junção das águas distintas, no diálogo dos elementos translúcidos. Completamente trespassado pela lembrança da sua voz!

Mas vim aqui porque senti o chamar. Abrigo? Só no calor do coração. E como o desejo.

 

Relâmpagos acontecem em mim, e relembro palavras anteriores.

Não somos o que já fomos. A lei da evolução assim o pede. E é de livre vontade que ao pedido dela acedemos.

Embora reconheça o seu início, o sua actual luz já não é a mesma. É outra. Mais vibrante, mais pulsante. E assim deve ser, pois todos os nossos fragmentos completam a vivencia das diferentes eras.

O reconhecimento, que ocorre nos reencontros, é o ímpeto do desenvolvimento. Sem este impulso não haverá futuro. Não concorda? Não quer o reconhecimento ou o futuro?

 

Como querendo algo, as luzes da natureza despertam-me para outras recordações.

Quanto já nos integramos em tão pouco tempo? É isso assim tão estranho? Será acaso? Ou a manifestação da singularidade em desígnios superiores? Não nos procurámos?

Como tal, não se trata de dependência, mas sim de convivência. De entrega. De querer. E até de amor. Porque não?

Poderá, para além dos receios, haver arrependimento? Mas o seu sentir é genuíno. E …

 

Desculpe-me não continuar. Estou triste! Há algum problema em afirmá-lo? Nunca tive medo de mostrar o que sentia, porque haveria de começar agora? Seria até irónico que tal acontecesse depois de assumir a prevalência do meu Eu sensorial. Mas a verdade é que o Eu racional começa a manifestar-se. Provavelmente serão defesas. O usar de instrumentos analíticos para suavizar o impacto do que prevejo aproximar-se. Talvez?

 

Também por isso, e já não me restam dúvidas, estou profundamente triste. Tanto que não consigo impedir cristalinos salgados. Seja! Também estes momentos nos fazem e preenchem!

 

Contudo,  tenho tanto para lhe dizer. E no entanto, nas ondas revoltas do meu mar interior, estas – JAMAIS A ESQUECEREI! Quanta ternura há no seu nome? – subjugam todas as outras.

 

Agradeço o seu cuidado e carinho, que sinto integralmente, mas não se preocupe. Remeto-me ao silêncio do amor que existe na minha amizade. Sincera! Plena! Mas sem jamais ser imposta.

 

E não tenha medo ou dúvidas porque sempre escreverei frente ao Mar. São a expressão do meu coração.

Pergunto-me se chegam ao seu? Como gostaria de saber.

 

Mas talvez não precise de mim? Não importa! Estarei sempre em esperança. Para de novo ouvir a sua voz. Perguntará pelos impulsos?

 

Um beijo terno, doce alma


in cartas junto ao mar
do blog in-finito azul

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