JOÃO LÚCIO

João Lúcio

 

João Lúcio Pousão Pereira (Olhão, 4 de Julho de 1880 - 26 de Outubro de 1918) foi um poeta português, sobrinho do pintor Henrique Pousão.

Vulgarmente relegado para a categoria de poeta local (considerado o expoente maior da poesia olhanense) ou de poeta regional (nomeadamente devido à sua obra O Meu Algarve), João Lúcio esteve, porém, à altura dos grandes nomes da Renascença Portuguesa, embora o seu voluntário afastamento dos grandes centros culturais do país tenha contribuído para tais definições limitadoras.

Figura prolífica, começou com apenas 12 anos a publicar os seus primeiros versos (no extinto periódico O Olhanense). Enquanto estudante no Liceu de Faro, fundou e dirigiu um jornal literário intitulado O Echo da Academia. Acabados os estudos em Faro, decidiu ir para Coimbra estudar Direito, em 1897, onde conhecerá e se tornará amigo de figuras brilhantes como Teixeira de Pascoaes, Augusto de Castro, Alfredo Pimenta, Afonso Lopes Vieira, Fausto Guedes Teixeira e Augusto Gil. Destacando-se no meio de tal plêiade, João Lúcio colabora com poesias suas em diversos jornais e revistas literárias nacionais (fundando inclusive, em 1899, um quinzenário intitulado O Reyno do Algarve), até conseguir finalmente, em 1901, publicar o seu primeiro livro, Descendo, aclamado com louvor pela crítica da época.
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Origem: Wikipédia

Deixa-me beber-te a formosura

Adolphe Piot, A Young Beauty Holding A Red Rose Adolphe Piot, A Young Beauty Holding A Red Rose
 

 

Noite de márm're branco, esplendente:
Rebentam, em gardénias, os espaços:
Silvam, na palidez do ar dormente,
As serpentes inquietas dos teus braços.


Como os meus beijos bebem, sequiosos,
Nos lagos de oiro e cinzas e metais,
Que são os teus olhos misteriosos,
Como os das águias reais!...


Sob a paixão, em labaredas vivas,
Ardes, na noite lenta, o busto lindo:
As linhas do teu corpo, tão esquivas,
Sinto-a flectindo e consumindo.


Enche-me bem a alma de ventura,
Com os sonhos de amor, que me revelas,
E deixa-me beber-te a formosura,
Como, os lagos, pela noite escura,
Bebem o oiro tremente das estrelas.



in «Os Dias do Amor», por Inês Ramos,
Ver Ref.s em Livros de Apoio

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