VÍTOR MATOS E SÁ

 

Vítor Matos e Sá, pseudónimo de Vítor Raul da Costa Matos, nasceu em Maputo, antiga Lourenço Marques, em 1926, e faleceu em Espanha em 1975 vitimado por um acidente de viação. Licenciou-se e doutorou-se em filosofia pela Universidade Coimbra, vindo a ser director do Instituto Filosófico da mesma universidade. Entre 1964 e 1970, faz vários estágios em Inglaterra. Colaborou, como poeta, na Távola Redonda, na Árvore, nos Cadernos do Meio-Dia, em Eros, etc. Publicou em vida as colectâneas O Horizonte dos Dias (1952), O Silêncio e o Tempo (1956) e O Amor Vigilante (1962. É publicada postumamente Companhia Violenta (1980), que reúne vários inéditos. Em 2000, foi publicada pela Campo das Letras Poesia de Vítor Matos e Sá, edição completa da sua obra poética organizada por Ana Paula Coutinho Mendes.

Origem: Projecto Vercial

Ó alto movimento do sangue no amor

Armanda Passos, óleo sobre telapintura de Armanda Passos, óleo sobre tela

 

 

Ó alto movimento do sangue no amor,
ó carne antiquíssima: que deuses persegues?
Que corpo de esperanças regressas, continuamente, da morte?


Que impossíveis flores transbordas na dança,
no livre terraço imaterial da dança,
e nos adolescentes e nas mulheres continuando o mar
e as vozes da infância que há na água?


De quem te aproximas? De quem atravessas
nossos anónimos passos medindo na noite
os países mais claros do futuro?


Que nossos corpos acabam só nas largas cidades da alma
e tropeçam nas balas seus sonhos e os sonhos avançam


e tu, amor, esperarás
como se teu corpo alimentasse o silêncio...

 

in «O Futuro em Anos-Luz»,
Antologia de Poesia portuguesa,
sel.e org. Valter Hugo Mãe,
Porto: Edições Quasi, 2001

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