SAÚL DIAS

  

Saul Dias, irmão de José Régio, de seu nome verdadeiro - Júlio Maria dos Reis Pereira (Vila do Conde, 1902 - Vila do Conde, 1983) foi um poeta, pintor e desenhista português.
Formou-se em Engenharia Civil pela Universidade do Porto, frequentando ainda a Escola Superior de Belas-Artes. Esteve ligado à revista Presença, aí publicando poemas e desenhos.
Como poeta, os seus textos denotam a influência de Camilo Pessanha, destacando-se pela sua musicalidade e depuração. Embora fosse colaborador da Presença, afastou-se da dramatização psicológica, subjectiva, característica dos escritores ligados a esta revista, afirmando-se antes por uma delicadeza lírica, por vezes com uma tonalidade de mistério, de irrealidade e sonho. Escreveu Mais e Mais (1932), Tanto (1934), Ainda (1938), e Sangue (1952), Obra Poética, 1932-1960, (1962), Essência, (1973), Obra Poética 2ª Ed aum., (Brasília Editora, 1980), Obra Poética 3ª Ed. rev. e aum. (campo das letras, 2001).
Como artista plástico, usando o nome Júlio, esteve inicialmente próximo do expressionismo alemão, enveredando depois por uma carreira de desenhista e ilustrador, e, de novo de pintor, aproximando-se do cubismo. Os seus trabalhos revelam lirismo e uma procura de pureza do traço, ficando célebres os desenhos incluídos na série Poeta. 
 

 Origem; Wikipédia

no sonho de hoje

Roberto Chichorro, Namoro em tempo de flor de jacarandá - acrílico s telapintura de  Roberto Chichorro

 

 

no sonho de hoje
era a nuvem,
doirada, sobre as messes...


(A nuvem que me foge!...)


Quisera
dormir eternamente,
embalado nos sonhos em que me aparecesses!
 


in «Obra Poética», Ainda (1938)
3ª ed. rev e aum., Porto: Campo das Letras, 2001

Dum caderno Antigo I

Eduardo Patarrão, Caras II Eduardo Patarrão, Caras II

 

 

O meu enleio
é a tua boca
- rosa de carne abrindo...-


E o meu desejo
é pisá-la num beijo...


- Destroço lindo!-


in «Obra Poética», Tanto (1934)
3ª ed. rev e aum., Porto: Campo das Letras, 2001
 

xv

pintura de Júlio pintura de Júlio

 

 

As madressilvas
que em abril florescem entre os brejos
parecem dizer:
Vede como somos belas!


e os namorados
que na estrada passam, abraçados, aos beijos,
erguem os braços para colhê-las...

 

in «Obra Poética», Mais e Mais (1932)
3ª ed. rev e aum., Porto: Campo das Letras, 2001

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