CARLOS EURICO DA COSTA

Carlos Eurico da Costa

 

Carlos Eurico da Costa (Viana do Castelo, 1928 — 1998) foi um escritor surrealista português , com actividade destacada na área do jornalismo e na indústria da publicidade.
Colaborou em publicações como a Seara Nova, Árvore, Serpente, Diário de Notícias, etc. Teve intensa actividade como crítico cinematográfico e foi dirigente cineblubista.
Foi, com Mário Cesariny, António Maria Lisboa e Cruzeiro Seixas, fundador do Grupo Surrealista português. Integrou, em 1949, com os desenhos "Grafoautografias" a primeira Exposição dos Surrealistas portugueses, com nomes como Henrique Risques Pereira, Mário Cesariny de Vasconcelos, Oom, F. J. Francisco, A. M. Lisboa, Mário Henrique Leiria, Fernando Alves dos Santos, Artur do Cruzeiro Seixas, Artur da Silva, A. P. Tomaz e Calvet.
Foi membro da direcção da Sociedade Portuguesa de Escritores e presidente da Associação da Imprensa Diária. Entre muitas actividades na área do associativismo, foi fundador, em 1979, da Associação de Cooperação com as Nações Unidas em Portugal.
A sua obra poética está recolhida nos volumes: Sete Poemas da Solenidade e um Requiem (Lisboa: Edições Árvore, 1952. Prólogo de Mário Cesariny de Vasconcelos: "A volta do filho prólogo"), Aventuras da Razão (Lisboa: Livraria Morais Editora, Col. "Círculo de Poesia", 1965), A Fulminada Imagem (Lisboa: Editorial Estampa, Col. "Poesia, Ensaio, Teatro". Prólogo de Alberto Ferreira, 1968), e A Cidade de Palagüin (Lisboa: & etc, 1979).
Organizou diversas diversas antologias e a sua obra está igualmente incluída em diversas antologias.


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neste dia meu amor

Carlos Carreiro, a gruta azul, 2002

Carlos Carreiro, a gruta azul, 2002

 

7
 

 


Neste dia meu amor
os meus dedos são o candelabro que te ilumina
o único existente.


E o homem
sua esfera perdida em mãos alheias
é o objecto de malabarismo
o insecto
voltejando cega a luz que lhe irradiam
o límpido cristal corrompido
o defunto.


E este patíbulo onde o próprio carrasco se enforcará
eu o digo
será erguido como símbolo de todos os homens.


Aqui a hora vai sendo longínqua meu amor e solene.
O caminho é grande o tempo tão pouco
tenhamos muita esperança e muito ódio
e vítreas flores a ornar o teu cabelo
porque serei o homem para as transportar
e tu a última mulher que as aceitará.


E enquanto assim for
erguer-se-á a nuvem de múltiplas estrelas
a nebulosa
que dizem estar a milhões de anos-luz
mas não acreditemos bem o sabes
porque a verdade a temos em nossas próprias mãos
oculta para a contemplarmos agora.

 

 in «A Única Real Tradição Viva»,
sete poemas da solenidade e um requiem,
Lisboa: Ed. Assírio & Alvim, 1998

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