VÍTOR NOGUEIRA

Vítor Nogueira

 

Vítor Nogueira nasceu em Vila Real, em Novembro de 1966. Tem obra publicada nos domínios da poesia, da ficção, da crónica e do ensaio. Foi jornalista e professor. Actualmente dirige o Teatro de Vila Real, no âmbito da Rede Nacional de Teatros criada pelo Ministério da Cultura.

Publicou os seguintes livros:

Diário de uma Escola de Província (crónica), Plátano, Lisboa, 1998; A Volta ao Mundo em 50 Poemas (poesia), Editorial Minerva, Lisboa, 1999; Ecologia e Democracia: Potenciais Conflitos de uma Difícil Relação (ensaio), Universidade do Minho, Braga, 2000 (fora do mercado); Introdução ao Pensamento Ecológico (ensaio), Plátano, Lisboa, 2000; Memória de Avelino Patena (ensaio), Arquivo Distrital de Vila Real, Vila Real, 2000; Águas Públicas de Vila Real: do Século XIII ao Século XX (ensaio), SMAS, Vila Real, 2001; Senhor Gouveia (poesia), Averno, Lisboa, 2006; O Ciclone de 1941 (ensaio, com Elísio Amaral Neves), Cruz Vermelha Portuguesa, Vila Real, 2007; Bagagem de Mão (poesia), & etc, Lisboa, 2007;Novas Memórias de Ansiães (poesia, com A. M. Pires Cabral, Manuel de Freitas e Rui Pires Cabral), Averno, Lisboa, 2007; A Central do Biel: um Enquadramento para a Musealização da Primeira Central Hidroeléctrica Portuguesa (ensaio), Fundação Museu do Douro, Peso da Régua, 2008; Comércio Tradicional (poesia), Averno, Lisboa, 2008; Mar Largo (poesia), & etc, Lisboa, 2009.


Origem:Wikipédia

SOBRESSALTO

Cátia Rodrigues, Um outro olhar sobre o mundo - Galeria AbertaCátia Rodrigues, Um outro olhar sobre o mundo
 

 


Um escape livre corta a Rua Alexandre Herculano,
fende, talvez sem remedeio, a escrita de um soneto.
O Senhor Gouveia não suporta marialvas
com fumaças de Apolos e farfalhices de Mercúrios.

 

Hoje, que os tempos mudaram, os D. Juans
não usam fina lâmina de Toledo, nem vão
da dama preferida, a lança em riste, disputar
a soberania da beleza, em ginetes de fina raça.

 

Hoje, a espada é, quando muito, um telemóvel;
os corcéis, motocicletas barulhentas; e o chapéu
emplumado, um capacete (que às vezes, apeados,
mantêm na cabeça, como um quico de comédia).

 

Depois, claro, os romances de amor são menos vivos,
menos cintilantes de ardores apaixonados.

 

in «Senhor Gouveia», 
Lisboa: Averno, 2006

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