ANTÓNIO ARAGÃO

António Aragão

 

António Manuel de Sousa Aragão Mendes Correia (São Vicente, Ilha da Madeira, 22 de Setembro de 1925 † Funchal, 11 de Agosto de 2008 foi um escritor, poeta , historiador e pintor português.
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Licenciado em Ciências Históricas e Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e em Biblioteconomia e Arquivismo pela Universidade de Coimbra. Estudou Etnografia e Museologia em Paris, sob a orientação do Director do Conselho Internacional de Museus da UNESCO. Cursou no Instituto Central de Restauro de Roma, onde se especializou em restauro de obras de Arte e estagiou no laboratório de restauro do Vaticano. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris e Roma
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Na área da literatura participou em acções colectivas, antologias, e outras manifestações significativas: Poesia experimental, 1964 e 1965. (revista de que é co-fundador); Visopoemas, 1965; Ortofonias (com E.M. Melo e Castro), 1965; Operação I. 1967; Hidra I. 1968; Hidra 2. 1969; Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa. 1971; Antologia da Poesia Concreta em Portugal. 1973; Antologia da Poesia Visual Europeia. 1976; Antologia da Poesia Portuguesa. 1940-1977. 1979; Antologia da Poesia Surrealista em Portugal; OVO/POVO. 1978. Lisboa e 1980, Coimbra; PO.EX. 80. Galeria Nacional de Arte Moderna, Lisboa, 1980 e 1981; Filigrama. (Revista de expansão internacional). Co-fundador. 1981, Funchal; Líricas portuguesas. Antologia. 1983; Poemografias. 1985; I Festival Internacional Poesia Viva. 1987, Figueira da Foz; Poesia: outras escritas, Novos suportes. 1988, Setúbal; Electroarte. Vala Comum. Lisboa. 1994
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Origem: Wikipédia
 

A VIRGEM

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um avião em teus seios desocupados
um guindaste em tua boca alerta

 

um passo de arco-íris corre
teu pulso – dá-me teu bilhete
oh como voo te gosto de viajar!
um motor faz entre tuas coxas
hossana! é sangue o côncavo do teu lugar

 

(Inédito, 1959)

in «Poesia Portuguesa Erótica e Satírica»,
Organiz., pref. e notas de Natália Correia
Lisboa: Antígona / Frenesi, 1999

POEMA

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ah o amável preço da minha fotografia no teu
retrato:
aquele calor da telefonia nascendo no
instante sem ocasião. e o regresso à história
do repouso dos aparelhos ou à demora
apenas
de comprar a cadeira depois de ter dito
aquela palavra no campo
onde crescem mais exactamente os frigoríficos.

 

quem sabe afinal quando o coração apodrece?

 

talvez mais exactamente ando o peso
dos passos no nome do rosto.
ou toco docemente
a gasolina no ritual da tua imagem.

 

olha: este é o interior mais exactamente
da escada no cimo do meu susto.
eis o estilo espantoso de pensar uma espingarda
no lado nu do teu corpo que não escrevo.

 

quem sabe afinal quando o coração não apodrece?

 


nós apenas dizemos o cartaz na paragem de deus
e o resto é mais a nosssa dificuldade no
retrato enquanto um anjo digo-te
passeia mais exactamente no pêlo do navio.

 


in «Mais Exactamente P(r)o(bl)emas», 1968

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